Tempo! Férias! Crianças! O que fazer?


Quando estávamos prestes a mudar, uma pessoa que mora na Alemanha nos disse que apesar do frio, da temperatura chegar até – 20, da neve também tem dias de verão no qual a temperatura chega a 35 graus. 

No primeiro ano morando aqui presenciei dias de calor, muito abafado e com vontade de ficar numa piscina. No ano passado, tivemos alguns dias mais quentes nos meses de julho até o início de setembro.

Atualmente sempre que encontro essa pessoa ela disfarça e faz cara de indignição para o tempo dizendo que é um ano atípico. Ahhh tá, vou fingir que acredito! Acho mesmo que quis me impressionar dizendo que teria uma temperatura parecida com a do Brasil. Ainda bem que não acreditei fielmente. Mas é aquela velha história... A gente tem esperança! E sonha... e tudo mais.

As cidades apresentam uma estrutura com ótimas opções de lazer para esses meses de férias. As férias variam de período, dependendo do estado. Algumas começam em julho e terminam em agosto. Outras começam em agosto e terminam em setembro.

Na semana passada, me deparei com esses dois jornais. Logo pode-se ler “Sommer wochen” (semana de verão) e no outro “Meine Freizet” (tempo livre). Ambos apresentam inúmeras sugestões de passeio (parque de diversão, parque aquático; enfim, a maioria que requer tempo bom). Chamou minha atenção o título do primeiro e a imagem do segundo. Convidando para curtirmos o verão, para aproveitarmos para nadar. Mas como, cadê o verão?

Acho que eles se enganam. De verdade, acho que a diversão acontece mesmo no inverno e no período de neve.

Tanto que saiu no jornal esses dias que as pessoas estão optando a irem ao cinema, ao invés de parques, piscinas e lagos.

Hoje começam pra valer as férias, já que Felipe e eu estávamos esperando encerrar a semana na escola do Thomas. Com a falta de calor e consequente impossibilidade de nadar em lagos ou piscinas, estou tentando listar alguns passeios para fazer com os meninos. Também não está nevando e dá para sair. Mesmo se estivesse com certeza não seria um empecilho para meus filhos que já se acostumaram com a neve.

Conversando com o Felipe perguntei o que gostaria de fazer nas férias. Logo me disse: andar de bicicleta, brincar lá fora, ir no parque, brincar com carros, fazer piquenique, andar de trem e de ônibus, brincar com os amigos da escola, ir ao Zoológico e no parque de diversão.

Interessante como as crianças são felizes por si só. Não precisam de muito para se divertir. Quem disse que precisa viajar nas férias? Quem disse que precisa realizar um passeio por dia? Quem disse que precisa investir muito dinheiro nas férias? A maioria das crianças não tem a dimensão da infra-estrutura e do que a mídia de uma cidade oferece nesse período. Fica claro que são os pais que sentem-se obrigados a fazer isso, depois aquilo, depois aquilo outro. Estou errada? Criança quer companhia dos pais, quer brincar com outras crianças, quer brincar com os brinquedos preferidos, quer aconchego, quer observar os bichos no jardim; enfim coisas simples da vida.

Com isso, lembrei das mães que moram na Europa, cujos filhos estão de férias. Além disso, não daria para esquecer do Brasil, no qual as férias acabaram faz pouco tempo. Aposto que as mães estão fresquinhas de idéias. Então, que tal compartilhar comigo algo simples que fez com seu (s) filho (s) nas férias. Algo marcante para ele, criativo e simples para você! 

Ahhh colaborem contando para essa mãe que é enganada pelo tempo e pelas pessoas que vivem há muito tempo na Alemanha... rs rs rs

 
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Susto da mãe, alegria do pai

Já contei para você que Felipe aumentou o vocabulário quando se trata de falar em português. As visitas que recebemos primeiro a vovó, depois os padrinhos fizeram com que Felipe se comunicasse mais falando somente em português. O que no início foi um pouco difícil, já que eu era a única referência para ele. Mas assim que percebeu que as visitas falavam somente português, logo para ficar próximo e aproveitá-las começou a soltar a língua.

Cada dia percebemos que foi repetindo algumas palavras e falando outras. Até então palavras que desconhecia, mas que começaram a fazer parte do seu vocabulário por achá-las diferentes e engraçadas. Como por exemplo: moleque, bater o carrinho no outro dizendo bateu no meu bunda e não mais no meu bumbum, legal e outras.

Hoje além da diferenciação das línguas para se referir a pessoa certa há também inúmeras palavras que tornaram-se uma surpresa para nós. Não porque fazem parte do vocabulário do Felipe, mas pelo uso que faz e compreensão que tem sobre o sentido que pode dar para a mesma.

Então, vamos a pequena história contada pela mãe (e nesse caso sou eu):

Felipe geralmente gosta de saber tudo sobre a rotina do papai e, principalmente, como vai para o trabalho. Se vai de ônibus, se o deixaremos para pegar o trem ou se vai de Auto (assim como costumar dizer carro). 

Fica feliz quando levamos o papai para pegar o trem, pois adora ver e brincar com trem. Mas nos dias em que papai geralmente fica sem o carro, muitas vezes temos o costume de buscá-lo no trabalho. Apesar de fácil e rápido a volta, depois de um dia de trabalho, é bom ter um pouquinho de mordomia. 

Ontem foi um desses dias de buscarmos o papai no trabalho. Estávamos a caminho, um dia nem tão bonito assim, garoando, ventando um pouco, a estrada cheia e um tanto a percorrer.

Por um instante pensei que Felipe fosse dormir, mas não! Agüentou firme o caminho todo, observando os caminhões e tratores. Quando estávamos perto, assim como de costume, já foi dizendo que estávamos chegando no trabalho do papai. E foi então que tive uma bela surpresa. Quando estava entrando no estacionamento Felipe virou para mim e disse muito sério: “- Mami, estou passando mal!”

No meu lugar, o que você imagina que está acontecendo? Nessa hora, passam mil coisas pela cabeça. Que o filho está com dor de barriga, que vai vomitar no carro, que comeu algo que não fez bem, enfim; tudo de ruim e preocupante no momento.

Então, olhei para ele e falei: “-Você está passando mal! Por que? Está com dor? Com vontade de vomitar?” Aquele turbilhão de perguntas que surgem rapidamente. Dirigindo e já querendo ajudá-lo. Mas qual foi a minha surpresa? Felipe virou para mim e disse: “-Mami, estou passando mal. Vou ver o papai”. 

É muita emoção, não é mesmo? Um amor e carinho sem fim... Não tem algo melhor do que ver a relação do filho com o pai.

Quando o papai entrou no carro contei tudo para ele. Agora, prepara-se para saber o que disse, pois convencido é pouco...

“-Passando mal” é bom...até hoje só estava acostumado com as mulheres passando mal quando me viam. Mas sinceramente não tem nada melhor que sair do trabalho e ver alguém, lá longe dentro do carro, por a cabecinha pra fora pelo teto solar e gritar: “Papiiiii, demoro!!!”.


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Brincar com menina

Felipe está ampliando as relações com os colegas fora da escola. Escuto com freqüência os pedidos para brincar na casa do Maximilian, Felix, Lenny, Nico e Julian; como também para convidá-los para brincar na própria casa. Aos pouquinhos, com meu “maravilhoso” alemão, comecei a conversar com as mães e combinar alguns encontros entre eles. Uma alegria em cada encontro, uma conquista e demonstração de menino crescido por permanecer na casa dos colegas sem a mami e papi por perto. E nem com o Thomas, assim como mesmo diz: “- O Thomas vai ficar com a mami!”

Por ser uma criança mais reservada, talvez até por conta da comunicação em alemão, Felipe agora está deslanchando, mostrando realmente tudo que sabe, soltando a língua (como contei aqui) e fazendo seus pedidos. Conectado ao que está a sua volta, observando meninos e meninas outro dia pediu para convidar uma menina para brincar com ele. Nunca descartei a possibilidade, mas deixei as coisas acontecerem, mesmo porque sempre tive notícias de que era mais próximo de um ou outro menino na escola. 

Pouco tempo atrás foi o aniversário dele, incentivei a convidar algumas meninas do grupo, mas estava mesmo interessado nos fiéis amigos do dia a dia. Então, pensei que aquela vontade havia sido apenas algo passageiro.

Ah, mas como intervir num encontro? Com qual menina? Não daria para ser algo imposto, só porque acho interessante que vivencie outros tipos de brincadeira e porque havia pedido uma vez para brincar com uma menina. Pensa que estou dizendo isso, pois acredito fielmente nessa diferenciação. Muito pelo contrário.

Por mais que de vez em quando escolha a cor rosa, que brinque de casinha e com bichos de pelúcia isso não garante um contato com o jeito de menina brincar, não possibilita que conheça os brinquedos de menina. Será que tem diferença? Sabemos que tem, que atualmente ainda predomina a presença de heranças culturais transmitidas pela sociedade. Que mostram a diferença de gênero, como se fosse necessário desde pequeno. Como se isso influenciasse o gênero da criança e o modo de agir.

Lembro fortemente essa influência na minha infância, no qual era grande o incentivo para brincar com brinquedos até então considerados somente de meninas, no qual ressaltavam os papéis exercidos pelas mulheres. Mas agora os tempos são outros. A sociedade mudou e os papéis que ambos os gêneros exercem perante a sociedade também.

Então, convenhamos que o brinquedo atualmente é o que menos importa. A criança (seja menino ou menina) deve experimentar, vivenciar situações nas quais possam brincar, exercer diferentes papéis, fazer de conta até, pouco a pouco, se identificarem com alguns brinquedos. Sejam eles até então “considerados” mais para meninos ou meninas.

Outro dia uma mãe, bastante simpática me convidou para um café na casa dela. Sabia que era nova no pedaço e que precisava de um empurrãozinho para ampliar as relações. Não queria pensar dessa forma, preferia considerar que era uma forma das filhas brincarem com meus filhos. Mas dito e feito, através do nosso encontro nossos filhos brincaram juntos.

No primeiro encontro na casa dela Felipe parecia meio deslocado. Passou uma boa parte do tempo observando como as meninas brincavam e quais brinquedos elas tinham. Mas bastou um convite para se aproximar e começar a brincar também. Esse dia foi interessante vê-lo brincando de cabeleireiro, de lego com apetrechos como bonecas e cavalinhos. Gostou tanto de brincar de cabeleireiro, que quando as meninas não quiseram mais, Felipe brincou sozinho tendo como companheiro um cavalo. Colocou pulseiras, penteava e passava perfume.

Esse encontro rendeu e deu vontade de brincar com elas novamente, tanto que já encontrou com Sofia e Lisa mais de uma vez.

Felipe teve a oportunidade de brincar num espaço até então organizado de maneira diferente, de conhecer um pouquinho o jeito de menina (que brinca vestida com vestido de princesa), que age de maneira mais tranqüila, falando baixinho, arrumando a tiara no cabelo, que convida-o para brincar de cabelereiro, de casinha, com carrinhos de boneca; mas também de lego, de barco, com brinquedos de areia, com carro, com trem, de pula pula na cama elástica e com água. Brinquedos diversos que não marcam o gênero, favoráveis ao divertimento e que incentivam ao desenvolvimento. 

Curiosidade 1: Quando fomos na casa das meninas (Sofia e Lisa) Felipe fico admirado com o tamanho da cama elástica que tinha no jardim. Agora, me digam se comprariam isso para suas filhas? Talvez as mães e mesmo as filhas preferissem uma casinha de madeira com diferentes tipos de boneca. Mais uma vez, na minha opinião, isso só vem a reforçar que hoje em dia existe uma variedade muito maior de brinquedos e materiais favoráveis ao brincar, para se divertir. Seja menino ou menina!  É nítida a mudança no pensamento e modo de agir com os filhos perante a sociedade. 

Curiosidade 2 : Como mãe de dois meninos estou adorando ter meninas por perto. Recorrer as as minhas memórias da infância e favorecer outras relações durante o brincar.





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Primeira viagem pela Europa


Estamos no mês de férias e não tem nada mais gostoso do que pensar em viajar. Como é importante planejar uma viagem e ver todos os detalhes para que saia tudo bem. Lembrar de viagens realizadas faz com que pensamos no investimento, no conforto, na distração e possíveis dores de cabeça. Outro dia estava lembrando de uma viagem que fizemos um tempo atrás. A primeira viagem pela Europa desde que mudamos para a Alemanha. 

Surgiu um convite inesperado e sabíamos que era o momento de aproveitarmos a oportunidade de conhecer um pouquinho outro país e, em especial, uma cidade tão bela como Barcelona.

Além dessa experiência de conhecer outro lugar, também optamos em conhecer companhias aéreas alternativas, ou seja, empresas que não são grandes operadoras e nem conhecidas internacionalmente. Empresas que limitam-se a fazer viagens somente pela Europa.

A viagem em si foi maravilhosa! Adoramos a companhia de nossos amigos e também conhecer pontos culturais e esplêndidos pela sua arquitetura. 

Agora, você já viajou por essas companhias aéreas? Tem vontade de conhecer como tudo funciona? Então, dá uma passadinha no www.mãesinternacionais.com.br pois hoje estou lá contando tudo para você.

 
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Hora de comer by Thomas

Iiiiiii estou com fome! Olho para a cozinha e vejo que minha mãe está no fogão preparando a comida. O que será que vai ter hoje para eu comer? Na verdade o que vier eu traço, mas vou dar uma olhadinha. Ui mas é tão alto, cadê aquele banquinho que o Felipe usa para subir no vaso? Deve estar no banheiro. Vou pegar! Sai mamãe que eu estou chegando! Bem que minha mãe podia me levantar pra me ajudar a ver. Mas não! Está lá mexendo nas panelas. Então, vou ter que ficar tateando para ver se consigo identificar o que tem. Nossa que susto! Por que minha mãe está tão brava? Só quero pegar a panela para ver o que que tem hoje. Nossa e lá vai a minha mãe me colocar na minha cadeira de novo. Mas o meu prato está vazio. O que será que quer dizer: Já está quase pronto! E calma, seu faminto! Será que é algum carinho?


Começo a berrar afinal estou com fome. Logo chega o meu pai e fala Calma. Será que é esse o meu nome? Não. Acho que o meu nome pelo que eu sei é Thomas. Então, deve ser comida. Meu pai tenta me tirar da situação, mas logo quando ponho o pé no chão já volto correndo para a cozinha. Será que não entenderam que eu estou com fome? 

Escalo a minha cadeira. Que grande que ela é! Porque não posso comer no chão, não era mais fácil. Huuumm tem um pedaço de sucrilhos aqui embaixo da mesa. Que delícia! Ué de onde veio essa mão e arrancou. Nossa mamãe está brava de novo.


Finalmente estou na minha cadeira de novo e tenho um prato cheio de comida. Já agarro minha colher e começo a comer. Mas que raio de pano é esse? Sai eu quero comer! Sai solta meu braço! Uuuuuurggghhh solta meu braço! Se não soltar eu vou gritar! Ufa agora vou comer. Iiiii por que minha mãe tá segurando de novo o meu braço e tá soprando minha comida? Será que ela não sabe que quero comer. 

Ufa... acho que agora vai. Sai que eu como sozinho, afinal já tenho mais de 1 ano. Já estou grande! Huuummm uma garfada, duas garfadas, três garfadas. Que coisa! O que minha mãe está fazendo dividindo essa carne, macarrão. Ahhh parece interessante pois a comida está se multiplicando. Ah... agora ela quer me dar comida na boca. Será que ela não sabe que eu já sei comer sozinho. Vou mostrar para ela.


Viu como já consigo... ops caiu de novo. Mas é só pegar de novo com o dedo e colocar no prato. Iiiii melecou minha mão. Vou fazer como vejo o Felipe fazendo. Tem esse paninho branco aqui que deve ser pra isso. Ufa a minha mão está mais limpa. Ele também limpa a boca deixa eu ver como isso funciona. Por que a minha mãe está rindo? Parece que nunca viu alguém fazendo isso.

Ufa já deu uma tapiadinha na fome, mas que sede. A minha mãe esqueceu de novo o meu copinho com água vou apontar para ver se ela se liga. Acho que tenho que gritar de novo! Acho que ela não está entendendo. Ali mami, ali a água. Ah, finalmente. Continuo a comer e a tomar a minha água. Ahhhh como é boa a minha vida!


Nossa acho que comi muito. Vou empurrar o prato pra longe. Ué minha mãe quer me enfiar mais comida na boca. Não mãe! Não mãe! Acho que tenho que balançar a cabeça mais forte para ela entender. Nããããoooo! Agora ela entendeu.

Lá vem minha mãe com um pano de novo limpando minha boca. Será que ela não viu que já me limpei. Afinal, hoje nem me sujei tanto. Uuuuufa agora nada como uma sonequinha. Tchau Felipe! Tchau papi! Tchau mami! Não me incomodem! Durante as próximas duas horas estarei ocupado.


Deu para imaginar a situação e rir um pouquinho... Assim imaginei ... viajei um pouco sobre o pensamento do Thomas. Atualmente quando está com fome é hora de comer. Não tem essa história de distração com brinquedos ou com uma voltinha lá fora. Ultimamente mais crescido faz questão de comer sozinho. Se quisermos ajudá-lo estamos arrumando uma briga. Se sente com total autonomia! Ele quer comer sozinho! E há mal nisso? 

Lógico que há ganhos nessa independência, nesse querer em fazer as coisas sozinho. Mostra a influência do irmão ou das crianças da escola. O quanto o incentivo pelas educadoras, ou pelo momento da refeição na escola (talvez caótico, talvez a favor dessa autonomia) faz com que ele proceda dessa maneira. Confesso que sempre incentivei menos do que deveria. Talvez pela lambança, talvez por achar que não desse conta. Sempre foi uma mediação constante, colocando a comida na colher, auxiliando com uma colherada e outra deixando comer sozinho. Foi uma surpresa!

Parece que tudo passa a ser mais fácil quando temos o segundo filho. Parece que tudo flui de outra maneira. Não é deixar fazer tudo do seu jeito. Mas é olhar para a criança confiando que dará conta de aprender sozinha. Que precisa tentar e que para isso a sujeira se faz presente, muito presente!
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