No saco da cegonha

Um diferencial aqui na Alemanha e em outros países da Europa é o fato da grávida ter o acompanhamento de uma Hebamme (enfermeira). Pode ser desde o pré natal até o pós parto, enquanto a mãe estiver amamentando.

Na Clínica, assim que o bebê nasce uma das Hebammes dá uma lista de possíveis contatos de enfermeiras que moram perto da família. Elas incentivam que tenhamos alguém pelo menos nas primeiras oito semanas do bebê.  

É interessante, pois sabemos que há inúmeras questões quando se trata dos cuidados de um recém nascido e ao invés de querermos uma consulta semanal, quinzenal no pediatra para tirarmos dúvidas simples ou mesmo para termos um acompanhamento do desenvolvimento do bebê, temos uma enfermeira que acompanha com certa freqüência os marcos dos primeiros meses. 

Em relação a freqüência é muito particular e depende do interesse e necessidade de cada mãe. É um direito de cada família, já que os planos de saúde cobrem os custos.

A Hebamme ajuda na questão da amamentação, observa se o umbigo está em ordem, tira dúvidas em relação a alimentação, na passagem para alimentos sólidos, ao desmame, em relação as incertezas nessa nova situação vivida pela mãe e desenvolvimento do bebê de modo geral. Também acompanha e orienta a mãe na questão da recuperação pós parto (caso tenha sido uma cesárea), aos movimentos e atividades específicas (aulas) para voltar em forma.

Quando Thomas nasceu logo tivemos a presença de uma Hebamme. Não foram muitos encontros. Lembro de ter solicitado a visita nas primeiras semanas e antes de introduzir os alimentos sólidos. 

No início, temos toda a preocupação em relação ao aumento de peso, a amamentação, o umbigo e, muitas vezes, o banho. Lembro de orientar tudo da melhor maneira possível; além do mais outra cultura, outros hábitos até nos cuidados com os recém nascidos.

Agora que o Lucas nasceu novamente fomos incentivados a chamarmos uma Hebamme. Entramos em contato com a antiga, já conhecida e está sendo muito bom. Você pode pensar que é uma besteira, já que estou no terceiro filho. Porém te digo que não, pois além de todas as vantagens em relação a segurança que passa a respeito do desenvolvimento dele, a mesma além de simpática demais, esclarece todas as dúvidas que tenho, mesmo que sejam as mais simples.

Na verdade, é bom ter alguém para conversar, alguém que dá um retorno para você sobre o desenvolvimento do bebê, sobre o jeito de ser e lidar com os inúmeros imprevistos do dia a dia.

Tem aspectos do cuidar de um recém nascido que são muito diferentes da maneira que aprendi no Brasil.

* Umbigo: No Brasil aconselha-se passar o álcool 70 % e limpar com cotonete. Aqui apenas fazemos um curativo com gaze e trocamos diariamente. Falam para não darmos banho no bebê enquanto o umbigo não cair, caso contrário a umidade pode fazer com que haja infecções. Foi uma surpresa, pois banho é fundamental, já falei sobre isso aqui. No entanto, respeitei e segui a sugestão da Clínica e, posteriormente, da Hebamme.

*Para dormir: Aconselham-se a não usarmos cobertas, mantas, apenas os chamados sacos de dormir, no qual o bebê fica dentro e não há perigo de cobrir o rosto.
Também há possibilidade de dormirem enrolados na manta, assim como faziam antigamente com os chamados cueiros.

*Banho: Costumam usar sabonete líquido na água e não diretamente no bebê. Sugerem para darmos o banho após a mamada, uma forma de ficarem mais tranqüilos e não chorarem. Além disso, enquanto recém nascido falam que não há necessidade de virarmos o bebê na banheira deixando-o de costas para nós. Para o rosto e cabelo costuma-se usar uma espécie de luva atoalhada.

A freqüência do banho deve ser de duas a três vezes na semana, já que o bebê permanece boa parte do tempo em casa. Também para a proteção, pois a água resseca muito a pele. Por enquanto até pode ser, mas não sou a favor disso. O banho relaxa, renova, limpa...

Enfim, um lugar com hábitos diferentes.

Está sendo muito bom tê-la por perto do meu bebê. Um acompanhamento que tranqüiliza qualquer mãe ao tirar as dúvidas, já que tem aspectos em comum, que sabemos a partir do primeiro filho e jamais esquecemos. Mas cada bebê é único e os questionamentos são inevitáveis... A vontade de conversar também...

Acho o máximo essa balança que parece mais o saco da cegonha...

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Relato do parto - O GRANDE ENCONTRO



Chegou o dia dos irmãos se encontrarem, se conhecerem... Estávamos ansiosos por esse momento, pois uma coisa é terem acompanhado mês a mês a gestação, no qual contávamos das consultas, dávamos notícias do Lucas, observavam a decoração do quarto, a organização das roupas; outra coisa é realmente entenderem, visualizarem e conviverem com o mais novo bebê da casa, com o irmão.

Para Felipe tudo pareceu mais tranqüilo, praticamente com 4 anos e 9 meses, compreende e mostra-se mais cuidadoso, o que é muito diferente para o pequeno Thomas, no qual não sabia realmente o que estava acontecendo comigo, com minha barriga, com o Lucas, bebê ou coruja. 

Por isso a vontade imensa de vê-los entrando no quarto da clínica, de observar a reação de cada um ao se depararem com o pequeno Lucas. E realmente foi emocionante e de encher os olhos de lágrimas. Tantos pensamentos nesse momento. Nem imaginam... Quanto agradecimento!

Estava no quarto com o Lucas e com uma amiga que foi me visitar quando de repente o marido abre a porta e vejo Felipe e Thomas. Foi um momento mágico e inesquecível estar com o Lucas ao lado e ver meus dois meninos lindos, calmos, com olhares atentos a qualquer movimento, acontecimento ou encontro olharem para mim, melhor; para o Lucas.

Vieram em minha direção, me deram beijos e logo se aproximaram do berço. Olhavam, olhavam! Felipe logo disse: “- Mas mamãe ele está de olhos fechados! Está dormindo!”; enquanto Thomas olhou para o Lucas, olhou para minha barriga, olhou para mim. Somente depois disse “- Luca! Luca!” (apontando para o irmão)

Fiquei muito comovida nesse encontro, além de estar mais sensível nesse período todo, pois até então tinha apenas dois filhos, cujo mais novo e “bebê” até então era o Thomas. Como de repente tem outro bebê, que requer mais e mais cuidados do que o Thomas. Cada qual, cada fase! Mas difícil, difícil mesmo foi olhar para o Thomas e ver a reação dele, a expressão e comunicação apenas com o olhar.

Digo isso, pois Thomas sempre está sorrindo, muito alegre e de repente parecia que havia perdido algo, seu olhar estava estático, sem entender o que realmente estava acontecendo. Foi uma mistura de sentimentos, de agito, de querer chamar atenção e ficar no meu colo. Fiz, fiz tudo que pude no momento! Peguei no colo, falei que estava com muitas saudades, beijei, dei muito carinho para os dois. Mas mal sabia que estava só no começo desse grande encontro e que muita coisa estava por vir... 

Logo se despediram, mesmo desejando permanecerem na clínica e dormirem comigo. Voltaram no domingo e foram trocas de olhares, uma observação constante, o desejo de ver o Lucas de olhos abertos, a vontade de pegá-lo no colo. Animador de ver, preocupante ao mesmo tempo...


Felipe está desse jeitinho que vocês estão vendo na foto acima: Irmão mais velho, cuidadoso, preocupado, carinhoso, companheiro, amigo e feliz. 

O tempo passou! Me lembro como se fosse ontem do dia que cheguei em casa com o Thomas. Tudo foi muito, mas muito diferente! Afinal, Felipe tinha quase três anos de idade. Foi muito ciúmes, foi um querer a mãe só pra ele.

Agora, tudo muito diferente! Tão crescido meu menino! Cada dia aparece com uma fala mais surpreendente que a outra. Um orgulho danado, um coração apertado, uma felicidade sem fim.

É lindo! Lindo mesmo de ver o Felipe se aproximando do carrinho, dizendo ora em alemão, ora em português:

“- Lucas, você dormiu bem?”
“- Lucas você está acordado!”
“- Mamãe, estou aqui do lado do Lucas para fazer companhia para ele!”
“- Mamãe, não precisa fechar a porta? Você acha que o Lucas não sentirá frio?”
“- Posso pegar ele no colo!”
“- Quero que ele segure meu dedo!”
“- Lucas, você está com os olhos abertos!”
“- Mamãe eu não vou brigar com o Lucas, só com o Thomas...”
“- Vou brincar muito com o Lucas!”
"- Tchau Lucas vou para o Kindergarten!"

Será um belo irmão, companheiro e amigo. Será um ótimo ajudante, já está sendo... Agora, quero cuidar, cuidar muito, pois Felipe tem apenas 4 anos e 9 meses, ainda é uma criança e deve ser tratada como tal. Não quero que sinta que é o irmão mais velho, que requer o tempo todo de bons exemplos, de uma postura de irmão, de super ajudante... afinal, é uma criança! Requer tanta atenção assim como o Lucas e o Thomas.


Thomas está com esse olhar... Observando as atitudes do Lucas e principalmente dos pais. Tudo muito novo para ele. Ainda não entende perfeitamente tudo que está acontecendo a sua volta, porém mostra que tem personalidade forte, muito genioso não quer saber de ver o Lucas no meu colo. 

Que difícil! Tem hora que dá um aperto no coração, pois se por um lado tenho o Lucas no meu colo, vejo o desejo do Thomas de também estar ao mesmo tempo, igualzinho o irmão. Tenho colocado do lado, ora junto com o Lucas no colo, ora explico que está mamando e que precisa esperar. Agora a espera para um criança de 2 anos e 1 mês, o que é isso? Cadê a compreensão? Acho realmente que é pedir demais, mas aos pouquinhos um aprendizado importante e necessário. 

Percebemos que realmente faz mil e uma para me desafiar, para chamar a atenção. Uma carência sem fim e olha que fazemos de tudo um pouco. Por exemplo, de uma hora pra outra começou a acordar às 6h da manhã e ver o Lucas mamando ou no meu colo. Sabe que faz? Abre o berreiro. Aperta muito, mas muito o coração! Então, tenho me organizado para nesse momento dar somente o colo para ele. Difícil tarefa e o pai entra na dança.

O que tem me deixado impressionada é a animação que vai em direção ao carrinho do Thomas para balançar, melhor chacoalhar muito, com força, com uma vontade enorme. Nessa hora tenho sido muito firme dizendo que não pode fazer isso. Limite e carinho ao mesmo tempo. Muito difícil conciliar e saber a hora certa de tudo. 

Mas de modo geral, está reagindo bem. Tudo isso já era esperado! Já passei por um tanto quando tive o Thomas. Vamos conciliando, fazendo inúmeras tentativas, dando o carinho e amor que tanto precisam, que tanto desejam.

E eu como mãe de três estou aprendendo... estou amando intensamente meus três meninos. Aproveitando cada minuto que estou com cada um deles, para me entregar totalmente, para sentirem o quanto são desejados e amados. Para saberem como será bom ter um, dois irmãos...

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Boas Vindas

Um presente, um carinho a distância de uma grande amiga...

Uma música na história do meu pequeno. Boas vindas ao Lucas, a vida...

Gostei muito! Não tinha como não registrar por aqui esse presente e a nossa amizade!!!!

Aproveite também, relaxe uns minutos e curta a música. Já conhecia? Gostou?



Boas Vindas
Caetano Veloso

Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe

Obrigada Guuuunga!!!! Minha amiga...
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Relato do parto - O MOMENTO

Sábado, dia 14/04, às 5h30 acordei. Logo olhei no meu celular para ver que horas eram, caminhei até o banheiro pensando que estava sentindo uma pressão na bexiga, uma vontade imensa de fazer xixi. Fiz, fiz muito xixi e depois fui até a cozinha tomar água. Junto comigo a dor permanecia, como se fosse uma pressão na virília, a sensação de uma bexiga cheia, explodindo. Realmente eu estava...

No entanto, pensei que já havia feito xixi, que algo a mais estava acontecendo. Então, deparei-me com minha mãe acordada na sala. Contei para ela que logo falou que as contrações estariam a caminho, que deveria ficar quieta, tranqüila. Que deveria relaxar, deitar. Mas como? Com dor! Com incomodo e preocupação...

Fui ao banheiro novamente, tentei fazer mais xixi a fim de aliviar a dor, pois nessas últimas semanas dormia, acordava de vez em quando para fazer xixi, mas sem forças, ou excesso de cansaço virava para o outro lado e dormia novamente. Então, conclui que pudesse ser xixi em grande quantidade, mas a dor continuava, tornando-se mais intensa, fazendo com que tivesse pequenas e rápidas paradas e travadas no corredor.

Rapidamente acordei o marido, que a princípio não me deu muita trela, apenas perguntou se eram contrações, fez um Tá Bom! e virou para o outro lado. Como as dores insistiam, comecei a olhar no relógio para perceber de quanto em quanto tempo apareciam. Notei que estava um espaçamento de 5 minutos, com dores cada vez mais fortes, começando a repuxar, virem desde as costas.

Meio brava, sem paciência, ciente de que a hora estava próxima chamei o marido novamente e pedi para se arrumar para irmos para a Clínica.

Abre parênteses

Marido levantou super sonado, demorou um tempo para trocar de roupa, ir ao banheiro e tomar café. Isso mesmo! Perguntou se podia tomar café, comer algo...

Eu muito boazinha falei que podia comer algo rápido, já que as contrações estavam aumentando. A verdade é que dessa hora em diante só pensava em estar na Clínica, sendo atendida, tendo notícias do meu bebê.

Fecha parênteses

Entrei no carro e tudo incomodava, a música, o cinto, cada brecada dada pelo marido. Ufa, mas os 10 minutos passaram e lá estava deitada na cama fazendo o CTG (vejam foto no post anterior), medindo a pressão, sendo examinada para ver quanto estava de dilatação. Sabem quanto? 3 cm. Só isso! 

No momento lembrei do parto do Thomas no qual comecei com 3 cm de dilatação e demorou somente 12 horas para o nascimento. Uma mistura de sentimentos tomaram conta de mim. Mas o que me angustiou no momento foi pensar no tempo de espera, no tempo de contrações que teria dali em diante.

Permaneci deitada, enquanto marido lia um tanto de revistas. Mal conseguia olhar para o lado, para ele. Uma dor, uma vontade de sumir dali, ou melhor; de ter logo em meus braços o meu bebê.

Entre uma contração e outra tinha a presença de uma Hebamme (enfermeira) para preparar as coisas na sala para o nascimento do Lucas, uma outra pedindo para assinar determinado papel, a médica para fazer o ultrassom. Tudo estava em ordem, comigo e com o bebê. Apenas tínhamos que esperar.... esperar e nada mais.

A cada contração parecia que minhas costas saiam do lugar. Uma dor, uma puxada intensa demais, uma vontade de chorar, uma respiração que travava... mesmo sabendo que deveria ser ao contrário. Então, a enfermeira perguntou se gostaria de um remédio (na veia ou supositório). Logo falei que o que fizesse efeito mais rápido. Nesse caso foi na veia, pingando devagarinho, devagarinho, demoraria em média 15 minutos para começar a aliviar.

O tempo passou devagar, passaram os 15 minutos e nada de aliviar, apenas me senti mais mole, meio zureta...rs

Um atendimento 100% por parte das Hebammes (enfermeiras), a mesma voltou e me ofereceu uma bolsa de água quente para as costas. Aceitei imediatamente. Agora, imaginem a cena, deitada, uma contração, um aperto da bolsa de água quente nas costas, uma respiração falhando, ora profunda, ora travada. Já não aguentava mais!

Marido ofereceu água, suco a pedido da enfermeira. Aproximou-se tentando ajudar a segurar a bolsa de água quente. Nada ajudava mais nesse momento.

Então, de repente, de uma hora pra outra, melhor; já haviam passado 2 horas e poucos minutos; comecei a sentir uma dor muito profunda, comecei a abrir as pernas e sentir algo na porta, melhor era a cabeça do Lucas. Literalmente a impressão de algo entalado. 

Nessa hora gritei para o marido correr para chamar a Hebamme. Ele começou a rir, pensando que estivesse variando da cabeça de dor, já que havia feito isso no parto do Thomas. Só que no parto do Thomas fiz isso pedindo por remédio, por não suportar mais as dores da contração.

Dessa vez sabia, sentia que era diferente, que meu filho estava prestes a nascer...

Então, marido saiu do quarto e voltou com a Hebamme que imediatamente me examinou. Terminado falou que estava de parabéns, que a sensibilidade estava em alta e que realmente fariam o parto, que Lucas estava prestes a nascer.

Rapidamente a médica entrou no quarto e as duas começaram o auxílio no trabalho de parto. A cabeça do Lucas estava ali, prestes a sair, foram três contrações, uma força tirada sei lá de onde, misturada com gritos, com uma emoção tremenda.

Enquanto isso, meu marido ao meu lado, observando cada movimento da Hebamme, da médica. Estava dando impulso na minha cabeça, deixando meu tronco mais elevado, conforme vinha cada contração, cada força que fazia... Meu grande amor, meu melhor amigo, apesar de não conseguir ajudar muito, estava ao meu lado sempre, sempre!

A cabeça havia saído, logo mais uma contração, os ombros também e logo vi meu filho, meu Lucas sendo levantado nos braços pela Hebamme. Mas um detalhe importante e que jamais será esquecido. Lucas estava roxo, roxo e com o cordão umbilical em volta do pescoço. Não estava enrolado, apenas em volta e caído como se fosse um colar. Ahhh que susto! Só lembro de falar para meu marido, olha a cor dele, está roxo, roxo...

Rapidamente elas enrolaram o Lucas numa toalha e deram para mim. O momento mais marcante, mais emocionante no qual não conseguimos nos conter, as lágrimas tomaram conta. Foi um choro compulsivo, com soluços da minha parte, enquanto meu marido cortou o cordão umbilical com os olhos repletos de lágrimas. Tiraram a placenta e levaram a mesma para ser examinada, só então voltaram e deram os parabéns para nós!

Agora sim havia chegado ao fim.... estávamos com o Lucas em nossos braços. Acalentando meu menino, amamentei um tanto meu pequeno e fiquei admirando-o pelo seu tamanho, seus traços, seus pelinhos claros pelo rosto todo. 

Uma emoção, uma felicidade sem tamanho, no qual agradeci e agradeço desde aquele momento por tudo ter dado certo, por ser uma mãe abençoada, feliz e presenteada pelos filhos que tive... Obrigada! Só tenho a agradecer... Muito obrigada!

Foram exatamente 3 horas e 26 minutos. Um parto normal rápido e tranqüilo, no qual apesar do tamanho do filhote (54 cm e 3960 g), a Hebamme foi a única que me ajudou, não precisando da médica no momento. Ela estava ao lado, no qual somente no final de tudo, após um tempo considerável com meu pequeno, a mesma deu aqueles pontinhos necessários. Enquanto, levava os pontos, Lucas estava ali na minha frente, sendo examinado e cuidado... Desse momento em diante, sempre comigo, passei a ser uma mãe de três. E volto, volto para contar do grande encontro entre eles.

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Relato do parto - PREPARAÇÃO

13.04.2012: Um dia antes do nascimento mil pensamentos estavam no ar. Uma ansiedade tremenda tomou conta de mim. Apesar de saber que há possibilidade do nascimento até a 42ª semana, não conseguia pensar muito a respeito, ou melhor, não queria, pois inúmeras questões surgiam, como:

E se não nascesse até a 42ª semana? Como mãe de dois ainda não tinha vivenciado algo similar.

Será que induziriam o parto na 42ª semana? Como seria tudo isso?

Será que chegaria ao último momento e com a possibilidade de uma cesárea? Algo que tive receio, pois gostaria de outro parto normal, tudo da forma mais natural possível.

Haveriam chances de acontecer algo ao meu bebê permanecendo por mais tempo na minha barriga? Quais seriam os riscos?

O que será que estava guardado para mim? Será que algo de ruim aconteceria? 

Um turbilhão de pensamentos, no qual pesava os mil acontecimentos dos últimos meses (partos adiantados de conhecidas e amigas), me impulsionaram a dias de angústias, preocupações e desejos. 

Fora todas essas dúvidas e “pré-ocupações” de um lado, do outro estavam todos, sem exceções, querendo saber se estava passando bem, se as contrações já se faziam presentes, se sentia alguma dor. Uma torcida organizada dizia que seria nessa semana, que não passaria de tal dia, uma fala mais divertida que a outra. Uma ansiedade maior que a minha...

Ao mesmo tempo, ao meu lado muitos pensamentos e energias boas, no qual amigas contaram suas experiências (não é mesmo Jas), vibraram junto comigo pensando no melhor para meu parto, para meu filho (não é mesmo amigas blogueiras distantes, pertinhos de coração).

E desse dia em diante, mesmo não acreditando nesse tempo de espera, deixei de me preocupar, de ficar esperando, resolvi me ocupar ainda mais, deixar as horas correrem. Comecei a colocar a mão na massa, organizar um tanto de coisas, lavar roupa, limpar a casa, sem polpar muitos esforços, enquanto minha respiração permanecia ofegante, curta e fora de mim. Nítida e destacada para qualquer pessoa.

Um dia especial também, aniversário do meu marido, meu maior e melhor companheiro. Fiz bolo e uma pequena comemoração em família. Um dia de expectativa, já que papai dizia que Lucas poderia nascer, pois assim comemorariam juntos.


O aniversário passou e a surpresa aproximou-se de nós.

Minha barriga enorme, chamando atenção de qualquer pessoa caminhando pela rua. Uma diversão em família, já que marido dizia que precisava chamar o guindaste para conseguir me levantar do sofá; que abraço já estava distante demais, não cabendo mais na nossa relação; que havia necessidade de ampliarmos os corredores estreitos, os lugares de passagem em comum...

Mas mal sabíamos que tudo isso estava chegando ao fim. O momento de cansaço, de ansiedade, porém o mais esperado estava começando, começou no dia 14 de abril às 5h30...

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