Assim como contei para vocês, na
última blogagem coletiva das
Mães Internacionais, darei continuidade aos aspectos culturais diferentes
que pegam entre a maneira que marido e eu pensamos na criação dos nossos filhos.
O primeiro que abordarei se trata da educação, ou seja, a maneira como nossos filhos aprendem. Geralmente discutimos em torno da proposta pedagógica da escola. Isso acontecia no Brasil, enquanto era professora e trabalhava numa escola sócio construtivista, no qual sempre dizia que estudou a vida inteira numa escola tradicional e não entendia uma série de atividades e encaminhamentos que fazia com meus alunos.
Uma discussão sem fim, porém sempre explicava, argumentava e ele vinha com uma infinidade de exemplos da escola, da maneira como aprendeu. Nossas conversas sempre contribuíram muito para pensar sobre o real significado das propostas, da maneira que trabalhava em sala de aula.
Mudamos para a Alemanha. E de início, o que pensei que seria tão bacana quanto ou melhor ainda, foi tudo muito diferente. Me encantei com alguns temas dos projetos no Kindergarten (Jardim da Infância), me decepcionei com a relação professor X aluno, com muitas atividades e como são encaminhadas. Conclusão: as discussões, trocas de opiniões entre marido e eu intensificaram. Além disso, é muito diferente, ser somente professora e depois ser professora e mãe. Um olhar diferenciado, muito mais investigador, pois envolve a aprendizagem dos filhos.
Aprendi através do método tradicional, meu marido também, porém pensamos totalmente diferente. Talvez porque fiz pedagogia e estudei anos e anos sobre o processo de ensino / aprendizagem. Com meus anos de estudo e como professora acredito que através do método tradicional a criança simplesmente reproduz, faz algo mecânico, sem compreender totalmente o real significado. Que a proposta limita a criação por parte da criança. Que olha para os alunos de maneira totalmente igual, sem considerar a individualidade de cada um. Interessada em informar, em moldar os alunos ao aprendizado da mesma maneira, com as mesmas atitudes. Ou seja, no qual há pouca interlocução com a criança.
Esses são os pontos principais da nossa discussão, pois atualmente enxergo muito de tudo isso na escola em que o Felipe estuda, a maneira como o meu filho lida com o processo de aprendizagem. Olhem que a proposta não é definida como tradicional, porém é dessa maneira que enxergo os encaminhamentos da professora.
Para ser mais clara darei apenas um exemplo simples: Nas propostas de desenho as crianças tendem a fazer tudo muito parecido, apresentando algo muito igual, próprio da realidade. Meu filho sempre faz uso das cores de acordo com os objetos reais assim como eles são, geralmente é incentivado a colocar o número de olhos, dedos ou pernas dos bichos corretamente. Há um encaminhamento dirigido para as crianças fazerem isso, para incluírem em sua produção algo visto no dia a dia, de acordo com o tema estudado ou observado nos livros.
Isso na minha opinião limita a criação e produção da criança. Acho que a professora pode sim dar recursos, mostrar exemplos para as crianças, pois é fato que aprendemos também copiando, mas sempre essa conduta acho demais. Sabem por que? Por que meu filho em casa também requer um tanto de direcionamento para as produções. Sempre de um modelo, de alguém “ditando”, “orientando” o que deve ser feito.
Parece-me que não tem meio termo, pois deveria ser uma parcela pequena no dia a dia, no encaminhamento das professoras. São poucas atividades e freqüência, então quando acontece a professora tem um objetivo a ser alcançado rapidamente, ao invés de incentivarem numa série de propostas.
Por outro lado, marido diz que sempre aprendeu dessa maneira e que não será isso que definirá como meu filho será no futuro, se será criativo ou não. Que mostrar o jeito certo, sempre dando um modelo, tem os aspectos relevantes para o ensino, de alcançar com êxito o objetivo, tendo clareza disso perante os alunos, mesmo que de início seja somente reproduzido.
O meu pensamento vai além, pois essa maneira também interfere na relação que o meu filho tem com o fazer e com a própria escola. Marido já diz que não vê tanta importância assim nesse processo, enfim, que o “meio” nem sempre justificará o fim.
Mas vou além, dizendo que é somente o início e que considero super importante no processo de ensino e aprendizagem durante todo o período escolar.
Será que sou exigente demais? Devo fechar os olhos quando Felipe diz que a joaninha tem 6 pernas, que fica contando enquanto desenha ou vice versa, interessado em confirmar se está correto; quando vejo as produções de Artes da escola todas com os mesmos elementos e quase todas as cores, quando vejo meu filho sendo muito “metódico”, “certinho” diante de alguns acontecimentos no dia a dia.
Esse jeito de ser tem muita relação com as características da personalidade do Felipe. Ao mesmo tempo, na escola, será que deve ser incentivado para seguir pela mesma direção, pelo mesmo caminho que todos? Já não bastam as regras que encontrará no mundo?
Marido diz que sim! Que no mundo e, em especial na Alemanha, as regras, o jeito certo faz com que as coisas caminhem, haja bons resultados em todos os sentidos. Por que não mostrar desde já como as coisas são, funcionam...